PERÍCIA JUDICIAL INVESTIGA ACIDENTE AÉREO QUE MATOU EDUARDO CAMPOS
O advogado Antônio Campos comunicou, nesta segunda-feira (2), que foi iniciada a perícia judicial para uma investigação conclusiva sobre as reais causas do acidente aéreo que matou seu irmão e ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em 2014. Na ocasião da queda de um avião em Santos (SP), o líder da esquerda em Pernambuco era candidato de oposição à campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT) à Presidência.
A perícia é resultado da ação judicial de produção antecipada de provas, na qual Antônio Campos pede uma palavra final da Justiça sobre o caso que ele chegou a cogitar haver “fortes indícios de assassinato”.
A ação do irmão de Eduardo Campos tramita na 4ª Vara Federal de Santos, sob número 5001663-02.2017.4.03.6104, ajuizada por ele e sua mãe. E tenta provar que houve uma sabotagem numa peça e que o avião, ao fazer uma manobra mais radical, daria um efeito pitch down (de inclinação para baixo).
“Estou novamente diante de um desafio jurídico e pessoal. A ação, ajuizada em 2017, possui elevada relevância jurídica e é considerada um leading case, pois reafirma que, em acidentes aéreos, cabe à Justiça — e não exclusivamente a órgãos administrativos — a palavra final sobre a apuração dos fatos. […] Foram questionados laudos oficiais anteriormente apresentados, e a perícia judicial ora iniciada representa um passo fundamental para o esclarecimento definitivo das causas do acidente”, escreveu Antônio Campos, em seu perfil do Instagram.
Em outra publicação, também ontem, o irmão de Eduardo Campos lembrou que foi advogado da família do cantor Chico Science, que morreu há 29 anos em acidente automobilístico. Em ação judicial contra uma montadora de veículos, disse ter provado que a causa da morte do artista foi um defeito no cinto de segurança do automóvel.
“Essa foi a maior ação indenizatória da história do Brasil e teve um importante efeito pedagógico. Agora, estou novamente diante de um desafio: uma ação de produção de provas, na qual busco demonstrar que a falha em uma peça foi possivelmente a causa determinante do acidente que vitimou meu irmão”, concluiu o advogado.
‘Psicografia e assassinato’
Em 2023, o irmão do ex-governador de Pernambuco, usou suas redes sociais para afirmar ter usado pistas de duas cartas mediúnicas atribuídas a Eduardo Campos, ao pedir para que a Justiça determinasse a reabertura do inquérito policial para investigar o acidente aéreo que matou o então candidato a presidente da República do PSB.
Na carta mediúnica citada por Antônio Campos, o político desencarnado estaria lançando “um olhar de piedade aos [seus] falsos amigos, traidores que foram” e avisando que os ajudará a “resgatá-los da tenebrosa esfera de dor que os aguarda”.
O inquérito chegou a ser desarquivado, em setembro de 2023, por determinação da Justiça Federal. Mas voltou ao arquivo, em abril de 2024, após o juiz Roberto Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, enviar o caso à Procuradoria-Geral da República (PGR) e receber o parecer de que não havia elementos para reabrir a investigação.
Em maio do ano passado, Antônio Campos comentou entrevista do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, sobre ameaças políticas sofridas por Eduardo Campos, diante de resistências Dilma Rousseff à sua candidatura. . E concluiu que o acidente com o avião teria relação com esse contexto político e eleitoral.
“Foi um assassinato! Mexeram numa peça do avião, o que seria de difícil prova, métodos muito utilizados por profissionais do crime”, disse o irmão de Eduardo Campos, ao jornalista Magno Martins, da Folha de Pernambuco, ao reagir à afirmação do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, que revelou que a então presidente petista usou a estrutura da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para espionar o ex-governador que ameaçava sua reeleição. (Davi Soares)